Motivação é um tema muito escrito e estudado, existem diferentes modelos e propostas: grupos de apoio, premiações, um bom clima organizacional, boa liderança, oportunidade de crescimento, participação nos lucros e muitos outros. Mas quantas empresas já não tentaram diferentes soluções? Quantas dessas empresas descobriram que depois de um tempo a eficácia diminui e é preciso uma nova ferramenta? Quantas empresas simplesmente não conseguem motivar seus funcionários? Quantas empresas estão gastando uma fortuna com o intuito de elevar a motivação e consequentemente a produtividade de seus funcionários?

Acredito que muitas empresas fazem essas perguntas e algumas já descobriram que tentar motivar funcionários é bastante infrutífero. É uma simples conclusão que os psicólogos já chegaram: a motivação externa, tem prazo de validade. Apenas a motivação interna tende a ser contínua, mas nem ela é estável ao longo do tempo. Ou seja, se quer funcionários motivados a longo prazo e reduzir custos com os caríssimos programas motivacionais procure motivar os funcionários internamente. Mas, internamente? Não é a própria psicologia que diz que se isso é impossível? Sim, é realmente impossível.

Agora chegamos no paradoxo que aflige toda empresa: se não dar para motivar internamente o que deve ser feito então? A resposta é tão simples que parece não funcionar: contrate pessoas que se sintam bem com a cultura da sua empresa. Simples, porém, dificilmente aplicável na maioria das empresas, já que pouquíssimas se preocupam em gerenciar a sua cultura.

Em um estudo de cinco anos um professor de Standord, Jim Collins, descobriu que algumas empresas não precisavam motivar seus funcionários e eles consideravam a sua organização a melhor do mundo para trabalhar. Contudo, segundos os empregados a empresa era a melhor caso você concordasse e se identificasse com a cultura dela. Caso contrário seria o pior lugar do mundo. Foi preciso um estudo para mostrar o óbvio: se você está em um lugar no qual gosta, acredita e se sente bem não há necessidade de motivação além dessa. Veja o caso da Nordstrom (empresa de departamentos norte-americana): seus funcionários são tão apaixonados por ela que se autointitulam nordies e são capazes de fazer qualquer coisa por um bom atendimento (que é um valor importantíssimo para a empresa):

  • uma funcionária fez, pessoalmente, um cachecol para uma cliente que precisava do tamanho exato para que ele não agarrasse no aro da cadeira de rodas.
  • Outro esquentava o carro dos clientes no inverno.
  • Um outro nordie aceitou uma devolução de uma corrente antiderrapante. O detalhe é que a Nordstrom não vende este tipo de produto.

Além disso, esta empresa tem um sistema de metas muito interessante: você deve escolher uma meta muito alta e depois conseguir ir além dela. E ninguém reclama. Quem está lá ama o que faz, sente que lá é o seu lugar: a melhor empresa do mundo para trabalhar. A Nordstrom não precisa se preocupar em motivar seus funcionários, eles já estão motivados o tempo todo. Ela faz isso através de um excelente gerenciamento da cultura e um rigorozissímo processo seletivo e acompanhamento ao longo do primeiro ano. Se o funcionário se identifica 100% ele fica, senão, rua. Eles possuem uma taxa de 50% de demissões e abandono no primeiro ano. Resumindo, só fica quem realmente quer. E não pense que isso existe apenas em outro país, já conheci empresas brasileiras que fazem isso.

É assim que se motiva internamente: contrate aqueles que se sentirão motivados simplesmente por trabalharem na sua empresa. Ok, eu sei que é lindo no papel, mas e na prática? Gerencie sua cultura. Esse é um aspecto que vejo em pouquíssimas empresas, algumas até tentam gerenciar sua cultura, mas infelizmente fazem de forma artificial. E esta não é uma tarefa fácil. A cultura é algo muito amplo e antes de você pensar em ferramentas para mensurá-la já digo de antemão, não o faça. O resultado será parcial e trará mais esteriótipos do que clareza. A cultura organizacional é complexa e abrangente demais para ser mensurada por um instrumento. A melhor forma de gerenciá-la é conhecer primeiro o que é cultura, como se forma, como muda, como evolui, como se transmite, como identificar alguns elementos e como a liderança pode influenciá-la positivamente. É importante também contar com a experiência de um profissional que tenha conhecimento na área de gestão cultural, já que um gerenciamento mal estruturado pode ser tão prejudicial quanto não fazer nada.

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